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A Magia do Terno de Reis no Rio Grande do Sul
Por Administrador
Publicado em 07/01/2026 18:15
Cultura

Terno de Reis

Relembrando Belchior (ou Melchior), Baltasar e Gaspar, os reis que foram dar as boas-vindas ao menino Jesus seguindo a trilha da estrela de Belém, a tradição Açorita chegou com os imigrantes dos Açores ao sul do Brasil, enraizou e se cultiva, apesar de cada vez mais raros, até hoje nos rincões gaúchos.

Os Ternos de Reis, ganharam força principalmente nas regiões sul e leste, por existência de colônias de origem litorânea, fonte principal dessa cultura em Portugal.

Durante muitos anos essa tradição ficou relegada ao pitoresco, aos recônditos ermos lugares do nosso Rio Grande de São Pedro do Sul. Não era uma cultura cosmopolita contemporânea, mas algo das pessoas mais simples, do campo ou da pesca, conectadas muito fortemente as tradições religiosas. Em 1960 o grande mestre e um fervoroso apaixonado pelas nossas tradições, J. C. Paixão Côrtes lançou um livro falando especificamente desse tema, Terno de Reis – Cantigas de Natal, resultado de suas pesquisas em incursões pelo interior do estado, esses interiores remotos e de difícil acesso nos dias de hoje, imagina na década de 50 e 60. Existe também o registro da famosa gravadora gaúcha “A Casa Electrica” de Severio Leonetti que em 1914 gravou um disco com temas relacionados aos ternos, os temas eram: Reis Camponeses e A Chegada dos Reis. Essa ação fez com que os temas virassem sucesso entre as famílias que possuíam gramofones à época, mesmo alguns não conhecendo a tradição dos Ternos de Reis.

No Terno de Reis a formação se dá por um grupo de músicos, cantadores e em alguns casos, porta estandartes, para com sua cantiga rimada visitarem as casas e agraciar a família com cânticos de fé, agradecendo o menino Jesus, nosso salvador, por seus ensinamentos, pedindo bênçãos de saúde, harmonia e prosperidade à família que recebe o terno.

A música geralmente tem um chote em sua introdução e depois um ralentado onde em forma quase chorosa os cantadores dirigem seus cânticos aos donos da casa, pedindo no primeiro verso, licença para adentrar o recinto:

 

“Agora mesmo cheguemo, na beira do seu terrero

Para tocá e cantá, licença peço premero...

Meu senhor, dono da casa, se escutar e me ouvireis

Que dos lados do Oriente são chegados os Três Reis”

 

Meu avô, que se esforçava com sua gaitinha de botão pois era músico “de ouvido”, cantava com um jeito lamentoso e arrastado, por sorte tinha o Fernando do Gringo, a vó Judith e os outros cantadores que davam um ar cerimonioso ao cantar daqueles Reis simples, mas cheios de boas intenções em seus cânticos.

Já escrevi esse próximo trecho, mas não me canso em repetir, Paixão Cortes já dizia em seu livreto publicado em 2000 “Tirando Reses” que o movimento tradicionalista não pode ficar alheio às FESTAS DE NATAL DO RIO GRANDE DO SUL, se não quiser fugir a uma de suas principais finalidades, a de preservação do culto de uma das mais puras tradições rurais:  O PRESÉPIO E AS FESTAS DE REIS.

Afinal afigura de um Papai Noel nortista e polar, um monte de brinquedos e comidas que nem são típicas, nem fazem parte do nosso rol de pratos tradicionais, destoam totalmente a tradição legada por nossos antepassados.

 

Texto: Mário Terres 

Foto: Cedida por Márcio Padula - Grupo de Terno de Reis - Filhos da Barra do Ribeiro

 

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